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Texto e fotos : Juracy Vilas-Bôas

Antes que Emma acordasse os outros, eu já estava no convés conversando com Link e apreciando a paisagem. O azul turquesa da água combinava com os tons mais escuros devido aos corais. Era uma beleza de perder o fôlego.

O nosso primeiro mergulho do dia foi no ponto batizado como "LINK’S G-SPOT" uma homenagem ao nosso comandante. O mergulho estava programado para no máximo 40m de profundidade (limite para o mergulho recreacional), mas não resisti aos paredões e dei um pulinho nos 47m. É bom deixar claro que, além de engenheiro, sou mergulhador profissional (registrado na Marinha do Brasil) e tenho treinamento e experiência para isso. Por falar nisso, esse é um ponto forte da operadora: ao assinar o contrato eles analisam os mergulhadores e formam as duplas por níveis. Fiquei, portanto, bem à vontade quanto ao que podia fazer, já que minha dupla tinha cerca de quinhentos mergulhos.

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Entre um mergulho e outro, fazíamos sempre um pequeno lanche, com chá, café ou chocolate quente, enquanto Emma recarregava os cilindros. Era tudo muito dinâmico e não podia ser diferente, já que eram cinco mergulhos por dia. Mergulhar, comer e preencher os ‘log-books’ eram as nossas agradáveis tarefas diárias.

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Fomos então para "ABYSS", uma parede de corais que começa em um metro e vai até mil metros de profundidade. Uma ansiedade dominou meu corpo ao saber o que podíamos encontrar por lá: várias espécies de tubarões (incluindo o meu predileto-tubarão baleia), arraias jamantas, peixes napoleões e até mesmo baleias. Todo mergulho é como uma loteria e nesse dia nossa sorte não nos permitiu acertar na quina. Mas podem acreditar, a quadra já é suficiente. Não vimos arraias jamantas, mas podemos ver três arraias nadando em formação. Não vimos baleias, mas o peixe napoleão deu o ar da graça. Não vimos tubarões baleia, mas um martelo de uns dois metros provocou alvoroço.

Quem pensar que os melhores mergulhos estão em grandes profundidades está completamente enganado. Todos, por unanimidade, elegeram o "CAVES" o melhor de todos os ‘points’ de Holmes Reff: uma série de pequenas cavernas infestadas de peixes, distribuídas em três regiões próximas. Uma imensa barracuda e uma garoupa de cerca de 150 quilos ficava posando para a câmara fotográfica. A pouca profundidade, máximo de 11m, nos permitiu um tempo de fundo de mais de uma hora no nosso terceiro mergulho. Certamente foi um dos melhores mergulhos de toda minha vida.

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Estava chegando o grande momento, era hora de alimentar as "feras". Enquanto a tripulação preparava o banquete, jogava pedaços de peixes na água para atrair e dar água na boca dos bichanos. Era uma briga para ver quem era o mais rápido. Todos com suas máquinas em mãos para registrar a pesca de tubarões, uma brincadeira que é feita para tirar o tubarão d’água sem machucá-lo. Scott então chama para o ‘briefing’ e explica tudo: a maneira correta de nadar e se posicionar, como se comportar durante o mergulho e as espécies esperadas (incluindo como ele mesmo disse o oh-shit shark). Descemos em duplas e formamos um semicírculo. Emma ficou atrás e ele na frente com a filmadora. O espeto de peixes foi jogado na água e por alguns minutos a briga foi feia. Cerca de cinquenta tubarões de quatro espécies apareceram: silver tips, white tips, grey whallers e um tawny nurse de 3,5m. Sempre admirei os tubarões pela sua força, resistência e por serem animais pré-históricos. Participar de uma "festa" tendo eles como convidados especiais é realmente algo inesquecível.

 

No nosso último mergulho voltamos a "NONKI" só que para ganhar um tempo de fundo maior nos limitamos a descer a 18m. Peixes papagaios, conchas gigantes, peixes palhaços e para finalizar um lindo polvo tentando se camuflar nos corais. Fechamos com chave de ouro.

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Infelizmente chegou a hora de içar novamente as velas e voltar à realidade. Fiquei pensando naqueles três dias que estive a bordo e contabilizando os números: 9 mergulhos, 300 fotos, 47 metros de profundidade, 386 minutos debaixo d’água e a sensação de puro prazer por ter mergulhado no lendário "MAR DE CORAIS DA AUSTRÁLIA".

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Juracy Vilas-Bôas é engenheiro, mergulhador profissional, fotógrafo e cinegrafista-sub, proprietário do site www.mergulhe.com.br.

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