Texto e fotos subaquáticas: Juracy Vilas-Bôas
Fotos externas: Juracy Vilas-Bôas e Adriana Raynal


 

Como sempre fazemos, resolvemos então nos separar do grupo para fotografar melhor e com mais calma. Quando estamos juntos com outros mergulhadores, os animais normalmente se afastam e mesmo quando não o fazem, todos têm o direito de ver, fotografar e filmar as espécies e assim não podemos fazer repetidas fotos, ou fotos mais elaboradas.

Foi a mais acertada escolha do dia. Cinco minutos após nos separar de todos, fomos presenteados com uma faminta tartaruga se alimentando nos recifes a uma profundidade de apenas um metro.


Tartaruga na Baía de Challenger




Adriana com tartaruga na Baía de Challenger

Por cerca de vinte minutos, ficamos fotografando e observando a menos de um metro de distância a beleza dócil daquele ser que parecia não estava nem aí para a nossa presença.

Resolvemos então voltar para o barco, pois o nosso ar tinha que ser suficiente para um retorno seguro. Só não esperávamos encontrar uma segunda tartaruga, só que agora em meia água, o que permitia boas fotos junto com Dri. Ou seja, mais cinco minutos com a elegante modelo.

Resumindo, mais uma vez fomos os últimos a retornar ao catamarã depois de 55 minutos de mergulho. Só após retornarmos é que ficamos sabendo que todos a bordo estavam curiosos em saber o que fazíamos parados por vários minutos no mesmo lugar em uma profundidade tão rasa, já que podiam ver as nadadeiras amarelas de Dri à distância.

Ao sair da água, jurei para mim mesmo que jamais ficaria desapontado em repetir um mesmo “point”.

Em “Pixie Pinnacle” mergulhamos ao redor de uma montanha submersa que se iniciava a cerca de 5m de profundidade e ia até 30m. Além dos sempre presentes cardumes multicoloridos, algumas espécies bem peculiares deu “o ar da graça”. Um belo “ornate ghost pipefish” preto e alguns outros pipefishes, um minúsculo camarão de anêmonas e um cardume de barracudas nos deixaram muito satisfeitos. Estrelas do mar e lesmas, ambas com cores bem vivas, completaram o mergulho.

No nosso segundo e último noturno, fomos em “Pixie Gardens” a uma profundidade máxima de 17,7 metros, o que nos permitiu permanecer na água durante uma hora e dez minutos.




Um pipefish no point "Pixie Pinnacle"




Adriana com um peixe trombeta em "Flare Point"


Eu tinha lido uma pequena matéria na revista Scuba Diving, em Papua Nova Guiné, onde falava de um mini-polvo que vive em águas rasas com fundo de lama ou arenoso e possui hábitos noturnos. O que eu não imaginava é que encontraria um na Grande Barreira da Austrália, muito menos por mim mesmo, sem auxílio de um guia local para apontá-lo. Ele tem poucos centímetros de comprimento com os tentáculos abertos, mora enterrado em uma loca e é bastante curioso. Quando ficávamos parados, ele saia totalmente da loca para conferir que ser estranho era aquele que soltava bolhas pela boca.

Bem próximo do mini-polvo, avistamos uma arraia de pintas azuis fluorescentes. Mas certamente, o ponto alvo foi o cardume de “Bumphead Parrotfish”, da família do budião, mas que se assemelha bastante com o peixe-napoleão.

Com uma pontualidade britânica, na manhã seguinte, um “toc-toc-toc” anuncia que está aberto mais um dia de mergulho a bordo do Super Sport.




Tubarão em "Pixie Gardens"