Texto e fotos subaquáticas: Juracy Vilas-Bôas
Fotos externas: Juracy Vilas-Bôas e Adriana Raynal


 

Mergulhos noturnos podem e devem ser programados com o coordenador das saídas. Em nosso mergulho noturno vimos um dócil pufferfish, alguns peixe-papagaios e várias outras espécies de peixes de recife dormindo, enquanto diversos lionfishes e scorpionfishes estavam em atividade. Para fechar a noite, fomos premiados com a presença de uma linda arraia pintada de azul (blue spotted stingray).

O Walindi Dive Resort abriu as portas de Kimbe Bay para que mergulhadores como nós, possam conhecer as belezas submersas dessa baía, que por várias vezes foi o cenário responsável para que fotógrafos famosos ganhassem diversos prêmios nos mais renomados concursos de fotografia subaquática do mundo.


Noturno em Kimbe Bay


Nativos de PNG em Milne Bay

Mas, nossas aventuras submersas em Papua Nova Guiné estavam apenas começando. Após passar sete dias na baía de Kimbe, fomos então conhecer o outro lado de PNG, a baía de Milne.

Agora resolvemos experimentar o mar de PNG a partir de um “live-aboard”. Descobrimos então que a melhor empresa de “live-aboard” da Austrália, a Mike Ball Dive Expeditons, tinha uma embarcação em Papua Nova Guiné.

O Paradise Sport como o próprio nome diz é um verdadeiro paraíso. É um catamarã em alumínio com trinta metros de comprimento por dez de largura. Espaço suficiente para 22 passageiros se acomodarem com conforto em cabines duplas. É o mais luxuoso live-aboard que conheço e possui três andares: no térreo estão as cabines e o deck de mergulho; no primeiro andar fica a cozinha, a sala de jantar e uma imensa sala de estar, dividida em dois ambientes, cada um com uma televisão e DVD, com sofás e uma pequena biblioteca.



Paradise Sports em Milne Bay



Cuttlefish em Milne Bay


O “knoc-knoc-knoc” na porta do quarto e o aviso de “dive time” é o sinal de que o deck de mergulho está aberto.

O espaçoso deck é o local de encontro onde os mergulhadores ouvem atentamente o “briefing” e partem rumo ao paraíso submerso de Milne Bay. Nele, cada um tem seu lugar em um dos quatro bancos onde ficam montados durante toda a viajem os conjuntos SCUBA, e sob eles caixas para guardar a máscara, nadadeira, faca, lastro etc. As roupas ficam penduradas em cabides, deixando tudo bem organizado.

 

Duas escadas nas laterais e duas pranchas no centro dão acesso à água. Toda a praticidade do deck do Paradise Sport faz com que cinco mergulhos em um único dia sejam menos cansativos do que seriam dois mergulhos em pequenas lanchas. Há também, a opção de sair para mergulhar um pouco mais distante do catamarã através de dois grandes barcos infláveis com motores de popa.

O nosso primeiro mergulho foi apenas uma amostra de como seriam todos os outros. Temperatura de 28º Celsius, superfície calma, correnteza média e uma visibilidade de vinte metros nos deixou satisfeitíssimos. Logo de cara fomos agraciados por uma tartaruga que passeava pelos corais completamente recobertos por esponjas e corais moles e um “bumphead parrotfush”, peixe não muito comum da família do nosso budião. Uma interminável quantidade de espécies ornamentais nos acompanhou durante uma hora e quatro minutos de tempo de fundo numa profundidade máxima de 23,3m.


Tubarão entre Corais em Milne Bay


Após a nossa estréia nesse maravilhoso palco de Milne Bay, retornamos à superfície. À bordo, toalhas secas estão disponíveis para cada um de nós ao final dos mergulhos. O deck de mergulho possui dois banheiros com chuveiros de água quente. Como o Paradise Sport é equipado com um desalinizador com capacidade de produzir 6.000 litros de água doce por dia, o consumo de água é ilimitado, apesar da recomendação de evitar o desperdício.